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Os 7 Erros Mais Comuns das Empreendedoras Nas Negociações Com Investidores

Negociar com investidores é uma das competências mais importantes e menos formalmente ensinadas no percurso de qualquer empreendedora. A maioria de nós aprende por tentativa e erro, muitas vezes com custos elevados.

Este artigo reúne os erros mais frequentes que emergem da investigação e das experiências reais de fundadoras no ecossistema empreendedor lusófono. Não para criar vergonha, mas para que possas reconhecê-los antes de os cometeres.

Erro 1: Confundir Pitch com Negociação

O pitch e a negociação são fases distintas com lógicas muito diferentes. O pitch vende a visão; a negociação define os termos da parceria. Muitas empreendedoras continuam em modo pitch quando já deveriam estar em modo negociação, e isso prejudica-as.

Em modo pitch, o foco está no entusiasmo, na visão, no potencial. É uma comunicação pensada para impressionar, que flui essencialmente num sentido. Em modo negociação, o foco muda: passamos para os interesses, os termos, os limites, as concessões. É uma conversa a dois sentidos, pensada para chegar a acordo.

Quando confundimos os dois momentos, chegamos à reunião de termos sem preparação negocial e acabamos por fazer concessões sob pressão porque ainda estávamos à espera de mais uma reunião de pitch.

Erro 2: Não Ter o BATNA Definido

Sem alternativas claras, qualquer proposta parece razoável. E é precisamente esta armadilha, negociar sem alternativas, que leva muitas fundadoras a aceitar condições que depois lamentam.

O BATNA, que corresponde à melhor alternativa caso a negociação falhe, não é pessimismo. É preparação. Ter alternativas reais, como outros investidores interessados, acesso a financiamento público ou a possibilidade de bootstrapping, é o que te dá poder para dizer não a uma proposta desfavorável sem entrar em pânico.

Se ainda não tens alternativas, o teu trabalho antes da negociação é criar algumas. Mesmo alternativas imperfeitas são melhores do que nenhuma.

Erro 3: Revelar Urgência (ou Desespero)

A urgência é a maior erosora do poder negocial. Quando a outra parte percebe que precisas mesmo deste acordo, passa a ter menos incentivo para oferecer bons termos.

Isto não significa ser desonesta sobre a situação da empresa. Significa gerir com cuidado o que revelas e quando o revelas. Dizer "temos runway para 8 meses" é muito diferente de dizer "precisamos de fechar este mês". O primeiro é transparência sobre a situação; o segundo é uma concessão de poder gratuita.

Se existe urgência real, o trabalho é criares alternativas que a reduzam ou, em casos extremos, seres estratégica sobre quando e como a comunicar.

Erro 4: Aceitar a Primeira Proposta, Mesmo Que Pareça Boa

Este erro é contraintuitivo, mas é real: aceitar rapidamente a primeira proposta, mesmo quando parece boa, pode trabalhar contra ti.

Do lado do investidor, uma aceitação imediata levanta uma questão natural: se ela aceitou tão depressa, será que a proposta foi demasiado generosa? Há algo que eu não sei?

Do teu lado, aceitar a primeira proposta sem negociar sinaliza que não tinhas uma posição própria, o que pode fragilizar a tua posição em negociações futuras com este mesmo investidor.

Isto não significa criar conflito artificial. Mas uma contra-proposta fundamentada, mesmo que pequena, serve para deixar claro que és uma negociadora com posição e não apenas uma receptora de propostas.

Erro 5: Negligenciar as Cláusulas Não-Financeiras

Os números, sejam percentagens, avaliações ou montantes, dominam a atenção na negociação. Mas muitas das decisões mais impactantes estão nas cláusulas que ficam para o final: governance, liquidation preference, anti-dilution, drag-along, tag-along, vesting.

Estas cláusulas podem, em certas situações, ser mais determinantes para o teu resultado financeiro do que a avaliação inicial. Uma cláusula de liquidation preference de 2x pode significar que, em casos de exit abaixo das expectativas, o investidor recupera o dobro antes de tu receberes um cêntimo.

A solução é conhecer estas cláusulas antes de as encontrares na mesa. E ter assessoria jurídica de qualidade que não apenas explique o que cada cláusula significa, mas que estime o impacto real nos diferentes cenários de exit.

Erro 6: Não Fazer Due Diligence ao Investidor

Já abordámos este tema em detalhe noutros artigos, mas merece repetição aqui. A maioria das empreendedoras faz uma preparação extensiva para o que o investidor vai analisar nelas e muito pouca preparação sobre quem é esse investidor.

O investidor que parece perfeito no pitch pode ser muito problemático quando há uma decisão difícil a tomar. O fundo que oferece a melhor avaliação pode ter cláusulas de governance que eliminam a tua autonomia.

Falar com outras fundadoras da carteira do investidor, especialmente sobre situações onde as coisas não correram como esperado, é o equivalente negocial de ler as reviews de um hotel antes de o reservar. Não garante que vai correr bem, mas aumenta muito a probabilidade de saberes o que vais encontrar.

Erro 7: Tratar a Negociação Como um Evento Único

A negociação de investimento não termina quando o contrato é assinado. É o início de uma relação negocial contínua, com revisões periódicas, decisões partilhadas e renegociações informais que vão acontecer ao longo de toda a vida da empresa.

As empreendedoras que tratam o acordo inicial como definitivo ficam frequentemente surpreendidas quando a dinâmica relacional muda: quando a empresa precisa de pivotar, quando surge uma nova ronda ou quando aparece um comprador interessado.

A preparação para estes momentos começa no contrato inicial, através da inclusão de mecanismos de revisão e cláusulas de adaptação, e sobretudo estabelecendo desde o início uma relação de comunicação que torna as conversas difíceis um pouco menos difíceis quando chegam.

Uma Nota de Encerramento

Estes erros não acontecem por falta de inteligência ou de capacidade. Acontecem porque a negociação com investidores é genuinamente difícil, raramente ensinada de forma sistemática e quase sempre vivida em contextos de pressão alta.

A boa notícia é que, conhecendo os padrões de erro, podes preparar-te de forma mais eficaz. E cada negociação, mesmo as que correm menos bem, é uma oportunidade de aprendizagem que, com alguma reflexão deliberada, torna a próxima melhor.