A negociadora - Blog

O que se passa na mente de um negociador?

Quando pensas em negociação, talvez imagines um jogo de estratégia, onde vence quem tem os melhores argumentos ou mais poder. Mas... e se eu te dissesse que, muitas vezes, quem manda na negociação não é a lógica nem os dados, mas sim os enviesamentos mentais que nem sabes que estão a acontecer?

A ciência da negociação mostra-nos que os nossos cérebros tomam atalhos que podem ser úteis, mas por vezes equivocados. São como mapas mentais que nos guiam... mas também nos podem baralhar. Vamos espreitar alguns desses atalhos?

 

1. Excesso de confiança: quando querer mais significa ficar sem nada

Matt Harrington, jovem promessa do basebol, recusou cinco contratos à espera de um melhor. Resultado? Nunca chegou a jogar na liga principal. Este é o poder (e o perigo) do excesso de confiança.

Dica: prepara sempre alternativas — o famoso Plano B — e não te deixes cegar por um otimismo desmedido.

(No meu livro, conto esta história em detalhe. Vais perceber o que não fazer.)

 

2. Heurísticas mentais: atalhos que nos desviam do objetivo

O cérebro gosta de atalhos. Mas às vezes, esses atalhos confundem mais do que ajudam.

Representatividade: julgamos os outros com base em estereótipos;
Ancoragem: o primeiro número que ouvimos numa negociação fica colado à nossa cabeça.

Dica: faz a primeira proposta (para ancorar) e justifica-a bem. No meu livro, explico como calcular o valor certo e como o apresentar com segurança.

 

3. Enquadramento: o mesmo produto, preços diferentes

Num estudo clássico, as pessoas estavam dispostas a pagar quase o dobro por uma cerveja, só porque era vendida num resort e não num supermercado. O produto era o mesmo. O que mudou? O enquadramento.

Dica: apresenta a tua proposta de forma a destacar os ganhos. A forma como dizemos algo importa tanto como o que dizemos.

 

4. Escalada de compromisso: insistir no erro não o torna certo

Quantas vezes já viste alguém “bater o pé” numa negociação, só porque já investiu tempo ou dinheiro? Isso chama-se escalada de compromisso — e é um dos enviesamentos mais perigosos e, porventura, mais comuns.

Dica: define os teus limites antes da negociação. Saber quando sair é tão importante como saber quando avançar.

 

5. O mito do bolo fixo

Pensar que numa negociação só um pode ganhar é um erro clássico. A maioria das negociações não é um jogo de “ou eu ou tu” — podem ser jogos de soma positiva se souberes criar valor.

Dica: faz perguntas para descobrir o que é realmente importante para a outra parte. Às vezes há espaço para trocas vantajosas que nem imaginavas.

 

Concluindo...

Este artigo é apenas uma amostra do que encontras no Capítulo 2 de “Como Negociar na Prática”. Lá explico com mais exemplos reais, exercícios e estratégias práticas como estes enviesamentos funcionam, e — mais importante — como os podes usar a teu favor.

Se quiseres aprender a negociar com mais consciência, preparação e criatividade, o livro está disponível em versão física e digital.

Porque negociar bem não é um talento: é uma competência que se aprende, treina… e transforma resultados.